15 novembro 2010

O preço do progresso insustentável

Desde 1850, quando Doutor Blumenau estrategicamente aqui fundou uma colônia com 17 imigrantes de diferentes ofícios, a localidade já mostrava ser economicamente bem planejada. De lavrador a ferreiro, as bases do desenvolvimento agrícola aqui estavam. A única lacuna a ser preenchida, algo compreensível dada a forma de pensar da época, foi de caráter ambiental, visto que a colônia foi instalada numa área facilmente alagável.

Localização à parte, Blumenau se desenvolveu muito ao longo de sua história, superando desde os desmembramentos realizados na década de 30, até as restrições impostas à cultura germânica durante as duas grandes guerras, sendo hoje referência nacional em termos de desenvolvimento humano.

Infelizmente, o único entrave para que a cidade tenha uma economia ainda mais próspera continua sendo o mesmo da época da colonização. Blumenau se recuperou das enchentes de 1982 e 1983, e ainda se recupera dos deslizamentos de novembro de 2008, mas continua tratando assuntos relacionados à sustentabilidade ambiental de maneira superficial. Muitos se referem ao último ocorrido como desastre ambiental, porém, embora as chuvas ocorridas há dois anos tenham sido excessivas, estudos comprovam que a maioria dos deslizamentos foi consequência direta da ação antrópica.

Hoje, profissionais que há muito alertavam sobre a possibilidade de acidentes ambientais no município – como o colunista do Santa, Lauro Bacca – continuam sendo ignorados e taxados de ecochatos quando dão sugestões visando à urbanização sustentável. Cabe lembrar que o ocorrido há dois anos causou prejuízo de R$ 90 milhões ao município, que poderiam ir para outras áreas. Ou seja, ambientalismo não significa barrar o progresso, mas progredir de modo racional. Quando corrigiremos essa falha na nossa história?

Artigo publicado no Jornal de Santa Catarina em 11/11/2010.

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